O futebol feminino pós Copa

Um mês se passou desde que da estreia da Copa do Mundo Feminina. A mídia explodiu, o futebol feminino ganhou holofotes, e a representatividade foi o alvo de grandes ações midiáticas. Porém, após o “boom” da Copa, o que está acontecendo e o que está sendo falado sobre o Futebol feminino? Será que a representatividade realmente foi eficaz, e as marcas e veículos continuaram com a preocupação, ou o futebol das mulheres foi deixado para as ações e propagandas do momento?

 

Este ano realmente foi um ano significativo para o esporte feminino, afinal foi o primeiro ano, dos 28, ao qual a Copa do Mundo de Futebol Feminino foi exibida em TV aberta para todo o Brasil. E ainda assim, comentada e analisada por um time maior de mulheres jornalistas. 

 

A decisão veio após uma série de propagandas e ações incentivadoras que giravam em torno do campeonato e das meninas, marcas como a Nike conseguiram atingir níveis estrondosos de alcance, sua propaganda “Dream Further”, a qual mostra como seria a realidade do futebol feminino igualado ao alcance do futebol masculino, e passa a mensagem “não mude seu sonho, mude o mundo”, foi uma das propagandas mais assistidas e compartilhadas da marca, gerando em torno 1,5 milhões de compartilhamentos. 

 

Porém, após a Copa, ainda vale ressaltar alguns detalhes importantes sobre a verdadeira realidade do futebol feminino brasileiro. Em uma conversa com a estudante de jornalismo, Beatriz Langella, que fez uma cobertura alternativa da Copa em seu perfil, separamos alguns tópicos e curiosidades sobre a Copa de 2019.

 

ESPORTE PROIBIDO:

A desigualdade entre o futebol masculino e feminino pode ter se dado pelo passado histórico, muitos não sabem, mas antigamente, o futebol era uma modalidade proibida entre as mulheres. O decreto da proibição foi de autoria de Getúlio Vargas em 1941. Por decreto  “ Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”. Os preconceitos que se têm hoje em dia sobre o futebol feminino, provém bastante desta lei, afinal, foi repulsado desde cedo. Então, ao momento em que vimos um evento sobre uma modalidade que já foi proibida, bater recordes de audiências, mostra-se a importância de eventos como a Copa.

 

IGUALDADE SALARIAL ENTRE OS HOMENS E MULHERES EM NY: Vale ressaltar que a visibilidade que o futebol feminino teve depois desta Copa foi estremecedora, e em comparação com a Copa de 2015, o público aumentou cerca de 200%. Além disso, começou-se a ter um maior engajamento nas redes sociais, justamente por as jogadoras terem feito um apelo tão grande sobre a questão da igualdade, este engajamento resultou na projeção de uma Lei em Nova York, a qual proíbe a desigualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função. No dia da sanção da Lei, 12 de julho, as jogadoras do time Estados Unidos, que ganharam o título deste ano, participaram da cerimônia, e ainda deixaram claro o descontentamento em possuir salários tão discrepantes para o mesmo ofício.“No geral, as americanas fizeram muito barulho sobre o assunto, aproveitando o protagonismo que elas tiveram na Copa e o protagonismo da Megan Rapinoe principalmente” diz Beatriz.

                                    foto por: @EllaFM

MAIS TIMES PASSAM A INVESTIR NO FUTEBOL FEMININO E EM SUAS CAMPANHAS:

 

“Depois da Copa, graças a visibilidade, mais times passaram a repensar em como estariam cuidando do futebol feminino, no Real Madrid por exemplo, a discussão sobre a formação do time feminino começou a acontecer. Outros times, como o Arsenal, passaram a vincular a imagem forte que se tem do time masculino para o time feminino, incluindo campanhas juntos, foi o que aconteceu com o jogador Özil e a Medema, que brilhou na Copa”.

 

AUMENTO PELA PROCURA E INTERESSE:

 

Passamos a ver um engajamento muito maior pelo futebol feminino depois da Copa do Mundo, porém ao longo dos últimos anos as meninas passaram a procurar mais o esporte e uma referência a altura delas, No caso do corinthians por exemplo, a maior procura e quantidade de inscrição para o futebol feminino foi em agosto procura aumentou bastante,  e a demonstração disso nas redes sociais também aumentaram.

 

 

FALTA DE RECURSOS DE AUDIÊNCIA

Apesar de todos os holofotes e visibilidade positiva que a Copa Feminina trouxe para o futebol feminino, ainda não podemos deixar de notar que alguns problemas persistem, o que é mais problemático, dado o efêmero “boom” de mídia que a copa conseguiu gerar. É o caso por exemplo da grade de audiência. “O futebol feminino não é transmitido na mesma intensidade e nem frequência do masculino, o futebol masculino já faz parte de toda uma sociedade do espetáculo, já é um assunto de “quebrar o gelo” é algo presente em várias rodas de conversa, mas o sucesso do futebol masculino não significa que o público desgosta do feminino, mas sim que só não é tão incentivado a consumir, as porcentagens de audiência mostraram isso”.

 

Além da desigualdade de investimento e patrocínios, o futebol feminino ainda enfrenta o seu maior desafio que é a audiência. A forma como é transmitido dificulta muito o acesso e a conquista de novos públicos. “Para que alguém vai querer ver alguma coisa que é difícil de se encontrar para assistir, enquanto o futebol masculino é transmitido até 2, 3 vezes por semana nos canais abertos e fechados” .

 

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